November 4, 2008

Estratégias são indicadas como opção para diversificar

Por Adriana Cotias e Daniele Camba, de São Paulo
07/08/2008
Valor online

As estratégias quantitativas costumam se destacar em momentos mais turbulentos, enquanto as mais tradicionais, como a fundamentalista, se mostram vencedoras em fases mais previsíveis, seja de alta ou de baixa dos mercados. Por essa razão, os multimercados que usam modelos estatísticos e econométricos para comprar e vender ativos são recomendados dentro de um plano de diversificação, e não como única aplicação.

"São fundos indicados para quem tem apetite por risco, já que são carteiras mais agressivas, que geralmente podem ficar alavancadas e com uma das maiores oscilações entre as diversas categorias de multimercados", diz Márcio Verri, sócio da Kinea - empresa de gestão de recursos que tem o Itaúcomo um dos sócios. A gestora acaba de montar um fundo quantitativo, o Kinea Sistemático, para se aproveitar do momento atual, em que fundamentos macroeconômicos e o dia-a-dia do mercado praticamente não se falam. "Atualmente, ninguém tem o mínimo de convicção do que irá ocorrer com fatores importantes, como o preço das commodities, a crise das hipotecas e o nível de desaceleração dos EUA, o que torna muito difícil o trabalho do gestor apenas com análises fundamentalistas."

Os preços do petróleo são um bom exemplo da falta de tendência. O barril saltou de US$ 13, em 2001, para quase US$ 150 recentemente, mas voltou para a casa dos US$ 120, pegando de calças curtas aqueles que apostaram cegamente na contínua valorização. Uma série histórica mais longa do comportamento da commodity, colocada nos modelos matemáticos, poderia perfeitamente revelar que esse movimento de valorização acentuada passaria por realizações no meio do caminho, explica Verri. "Além de selecionar quais os melhores ativos que se encaixam nas premissas definidas pelo gestor, os modelos quantitativos também apontam qual o melhor momento para investir nesses papéis."

Foi essa natureza que permitiu ao Santander Dinâmico identificar a desvalorização mais pronunciada a que a Bovespa seria submetida entre junho e julho. No último trimestre, o fundo tem retorno de 2,62%, em comparação ao 1,16% do CDI ou à queda de 14% do Ibovespa. "O sistema foi ágil em capturar a virada e comandou uma posição mais pessimista, ficando "vendido" (apostando na baixa) do Ibovespa futuro", conta o superintendente da Santander Asset Management, Alexandre Silvério. Os modelos usados pela gestora são os chamados "trend following" (seguidores de tendência), misturando dois tipos de análise: a técnica, que diz respeito ao histórico de preços dos ativos, mais a fundamentalista, alimentando os dados com informações como o lucro das empresas a cada trimestre.

As primeiras experiências quantitativas surgiram entre as décadas de 40 e 50. As mais atuais ainda são baseadas em estudos de inteligência artificial desenvolvidos na década de 60, conta o professor do Ibmec-SP, Marco Antonio Leonel Caetano. Alguns modelos copiam, por exemplo, a ação biológica de colônias de aranhas, formigas e abelhas num método chamado simulação de padrão. "As formigas, ao trilhar o caminho até o açúcar, seguem enfileiradas, mas se alguém passa o dedo entre elas, vira uma bagunça, porque a informação do caminho foi perdida, o que quer dizer que esse não é um comportamento aleatório." Replicada ao mercado financeiro, essa técnica pode avaliar o comportamento de um grupo de investidores em relação a outro.