Opcionalidade

O conceito de opcionalidade fica palpável e é praticamente anunciado nas palavras de Sêneca “A contabilidade dos benefícios é simples: tudo é dispêndio; se houver um retorno, isto significa um ganho claro; se não houver este retorno, nem tudo está perdido, o indivíduo desembolsou pelo simples fato de desembolsar”. Sêneca busca a robustez do estoicismo para descartar as desvantagens das perdas e preservar as vantagens, pois ele sabe que “apreciamos mais a ausência de dor do que o prazer”. Temos aqui o primeiro contato com a fórmula das pequenas perdas controladas e do momento de ganhos ilimitados.

Segundo Taleb, opcionalidade é fator condicional para a antifragilidade. E esta é ter mais a ganhar do que a perder, que é igual a mais vantagens do que desvantagens, que é igual à assimetria (favorável), que é igual a apreciar a volatilidade. Não precisamos saber o que está acontecendo quando compramos mais barato, quando temos a assimetria a nosso favor. Mas essa propriedade vai além de comprar mais barato: não precisamos entender as coisas quando temos alguma vantagem competitiva. A vantagem da opcionalidade está no maior retorno quando se está certo, o que torna desnecessário estar certo com muita frequência. 

As perdas controladas e ganhos ilimitados nos levam diretamente à estratégia barbell.
Um exemplo mais didático seria a formação de uma carteira de investimentos. A estratégia barbell é a combinação da aversão extrema ao risco e a adoração extrema ao risco em um portfólio de investimentos.